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A superficialidade da loucura contemporânea.

In Artigos e reflexões. on Março 20, 2008 at 3:46 am

 

_O que é loucura, o que é ser normal? A maioria dos dicionários definirá loucura como um comportamento criado por pensamentos anormais, ligado de forma irrevogável a tabus sociais, as relações sociais, e a cultura. Portanto, o louco nada mais é que, um ser que por sua forma de pensar diferente dos padrões da sociedade é taxado, reconhecido como louco!

_Essa pequena definição se consolidou ao longo dos séculos, houve períodos em que os loucos eram postos na fogueira, vitimas da violência de uma fé religiosa exacerbada, ou mesmo, tidos como oráculos, enviado dos deuses, ou amantes.

_Sócrates, um filosofo grego nascido em quatrocentos e sessenta antes de cristo definiu a loucura em alguns tipos para a época, tais quais: a profética, em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, o oráculo. A loucura amorosa, produzida por Afrodite, a deusa grega da beleza e do amor, a conhecida loucura de estar apaixonado, e por último, a loucura poética, produzida pela inspiração das musas.

_Todas essas idéias mencionadas nos levam a crer que o louco é alguém, no mínimo, extremamente diferente por sua forma de pensar. Mas como ser alguém diferente, realmente louco, doido, numa sociedade extremamente capitalista como as atuais e a nossa, onde tudo se vende e se compra, onde as pessoas têm preço, onde o sexo é comercializado em escala industrial, as amizades se baseiam na riqueza, onde usar drogas é uma prática rotineira de muitos, onde a família não tem tempo para educar os filhos, pois tem de trabalhar para provir o sustento da casa, onde até a loucura possui seu aspecto mercantil?

_O popularmente conhecido louco, no nosso tempo moderno, ou pós-morderno para os “sofisticados”,  é o louco vendido, o sujeito travestido por uma loucura comprada, por mais que ele esteja tentando ser diferente, ele realmente não o é. Diga-se de passagem, é apenas mais um competidor no mercado de consumo.

_O louco real, o “chapadão”, o doido que vive em outra realidade, o insano de nossa época é, o poeta que os amigos admiram pelo que é, não pelo que possui, o sujeito que luta por um mundo mais digno, ao invés de drogar-se e ser um reacionário, que trabalha, quando podia desistir e seguir o caminho mais fácil. Esses são alguns dos pirados, afinal, é preciso se contrapor e muito aos padrões da sociedade para não ser um sujeito comum como os que existem por ai.

  1. Segundo Voltaire “Somos todos malucos” hehehehehe

    Eu espero ser a real louca do nosso tempo

    Beijos louquinho do meu coração.

  2. belo texto rapaz. inspirador.

  3. Se é assim, então estou louca de pedra. E quem não é ao menos um pouco louco?
    Ótimo texto. Beijos, Flávia.

  4. Bom texto kra!
    De médico el ouco, todo mundo tem um pouco!rsrsrs
    Abraço!