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Latidos.

In crônicas. on Dezembro 15, 2008 at 2:35 pm

Aviso:

Esse conto de fadas engessado, outrora um acontecimento fantástico que certamente deveria ser do conhecimento de todos, claro, se creditado em seu nome o valor da conhecida e vulgar realidade. Requer uma leitura polida dos fatos aqui descritos.

Sim, uma leitura atenciosa!

Nas minúcias do espaço, do dia, de uma flor, da mente, existem contornos indescritíveis que somente podem ser alcançados e apanhados pelas sensações. A sensação de roubar, a sensação de ler e de amar só conhece aquele que foi capaz de alçar vôo de desgraçada sorte. A força da compreensão guia-nos para o espaço superlotado da abstração, sustentado pelas sensações.

A abstração, a loucura, o exaurir, o transcender… O enlouquecer… reside senão no absurdo. O absurdo da compreensão, da razão, do acreditar. Do viver. O viver em si já é um absurdo, e nesse sentindo prefiro sonhar, sentir o sonhar.

Posso andar dia após dia num sol insinuante ou situado no céu de Belém do Pará, com meu amado cão, que ao seu modo sonha e vive uma vida repleta de absurdos. Um pouco diferente da minha, claro. Um pouco mais, digamos… Peluda. Mas sob o mesmo sol do interior de algum lugar.

A ilusão cotidiana do absurdo argüia-se como um candelabro escocês repleto de whisky rosa da besteira, todos os dias os latidos meus envolvem-se com os dos cães que passam na rua, todos latem, todos sentem. Eu também. Até aqui nas palavras escritas escutam-se rugidos.

O único envolvimento que meus latidos não conseguem produzir é com meu melhor amigo, apesar de nossa envoltura perfazer um julgo emocional num jogo irracional, ele certamente não é tão trouxa como eu. Não acredita em qualquer um que late bonito, suas dúvidas são muito mais sinceras. Dotadas de alguma coisa que certamente escapa a tudo aquilo que já escapou e não sei o que é.

Viro-me para o lado, não há só parede, tanto faz ou fez a situação conjugada pela minha impostura fixa diante dos fatos verossímeis. Pois geralmente latidos complicados procuram esconder causas infundadas. Já dizia alguém que transcendeu o absurdo há muito tempo. Ou pelo menos, sentiu-o e soube lidar com ele.

Se latidos ecoam pelo meu cérebro onde não há paredes, a ressonância é maior do que pensais, pois eu penso ecoado. Nesse momento é que meu amigo me ajuda, diferente dos outros cães. O único problema é que ele faz necessidades em qualquer lugar, enquanto eu, fico aqui, acuado.

A delicadeza de duvidar das coisas, ou acreditar em tudo é como a leveza do pensamento. Exige força e dedicação.

Seria essa a configuração absurda do que é? Algo forte e delicado, algo instransponível, transcendente, que a simples linearidade do habitual impõem sob os que fazem parte dessa besteira toda a ignorância e a cegueira?

O absurdo do dia-a-dia, o aferir dos fatos, a psicose do amor são as prestezas que nos “prestam”, pois somos cegos pelo absurdo, ignorantes criados pela realidade, sentenciados pela vida.

Dos vira-latas aos cães de raça, os que comem ração importada e os que tomam água da poça, somos todos vítimas dessa grande piada.Mas até piadas precisam de água, e tratada. Não de poças!

 

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