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O mendigo desalmado

In Sem categoria on Novembro 20, 2010 at 3:47 pm

Era uma vez… Um sujeito dotado de tamanho desaforo, ousadia, desapego, insensatez, homem livre da liberdade, da sorte e azar, homem tal o suficiente para ser escravo das amarras que o prendiam a todo livre-arbítrio inerente a existência afim.

Vivência formosa do profissionalismo inventado, hedonismo depravado, luta desenfreada, “eticeteras” da vida. Essência inata consumida pelos aspectos mais mundanos do que pode ser vontade se transformando nos passos largos do vai e vem do orbe, natureza, da carne, ou “vai saber o que”.

“Dito-cujo” alforriado… O suficiente para recusar a penúria, amar a miséria, odiar a riqueza, olhar com volúpia o dinheiro, desejar o mais por menos, beber água do “igualmente” que colhe da chuva nadando em cachoeiras e cachos de cabelos caninos crescentes em sacos vazios de espermas radioativos da incerteza que Deus criou.

Num exato momento de percepção, tal qual como esse, sentido, sem, que pássaros cantavam ao som de Geraldo Azevedo… Percebeu este cicrano que não possuía alma… Pelo menos, o que entendia por alma, e que se possuía ao todo caso, não sua, o que era apenas alma por e em si. E esta estava em todos os cantos, encantos, música e pássaros, nos raios desse sol lilás como diria alguém que é músico e pouco egoísta.

A magia da alma não dependia da escuridão, foi vivida as luzes da certeza e força que residem, senão, naquelas mesmas aves que escutou em sonidos, no dia-a-dia, nos momentos difíceis, nas trepidações espirituais, e acima de tudo, quando queria voar. E foi possível aos olhos do universo quando possuía potência…

Pássaros batiam as asas, com energia, forçando o vento a se mexer, assoprandro as pessoas mais pesadas para longe, para que pudessem voar. Simplesmente pássaros com asas.

Após implorar por migalhas de todo o tipo, vender seu alvedrio, prostituir-se por prazeres, buscar sentimentos, acabar com sua curiosidade, buscar a sorte na cama do azar… Simplesmente implorou por uma esmola, como todo mendigo, subalterno sem nada, com um pouco de animação e carências…

-Asas pra que ti quero senhor!