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CIGARROS

In Sem categoria on Maio 30, 2011 at 11:50 pm

Mal sabia o cigarro, que em seu tênue sabor patrocinava as histórias mais surreais. Seu gosto para os desavisados e desventurados era narcótico, mas para os insensatos sensíveis, era de um sabor capaz de abrir portais através das relações sociais.

Portais estes que levariam a aventuras admiráveis, com tudo que nelas existem por direito. Desde orgias, dores, até rosas e chocolates.

Capaz de gerar doenças, mas também paixões efêmeras, ou mesmo amores. Ser vivo! O cupido da pós-modernidade.

Ela não compreendia que o cigarro, era apenas um emissário divino disfarçado sob um aspecto infernal no paraíso terrestre. Ele poderia apenas apressar o que um dia aconteceria. Desde a morte, quiçá a intensidade da vida.

Nesse sentido, gritava a cristã pecadora: – Obrigado Deus por ter criado tal vício.

Respondeu o cão: – Não foi o cigarro, foi seu livre-arbítrio. Arque com as consequências! Deus não tem nada a ver com isso.

Em um tom inequívoco a cristã argumentou: – Ou tem, Deus tem a ver com tudo, sem ele a vida se torna sem graça. Além do mais você e o cigarro são tão parecidos. Cada um se queima a sua maneira. Porque você não deixa as coisas pegarem fogo naturalmente?

O cão então procurando atender ao pedido, se retirou e deixou tudo fluir, a mercê do universo.

-Tem um cigarro pra me arranjar?

-Tenho sim… E talvez tenha muito mais que isso!?

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Sexta-feira 13

In Sem categoria on Maio 16, 2011 at 6:36 am

Acreditar no que lhe convêm… Sensatez doentia de quem pretende amarrar-se ao impraticável pelos caminhos comuns do habitual.

-Eu não acredito em bruxas! Ah mas que elas existem… Existem!

De todas as formas, de todos os modos, com todos os feitios, com todas as cores, sabores. E acima de tudo, para todos os propósitos, sem propósito algum. Podem estar sobre sua vassoura voando na direção lunar, com encanto. Também é possível que estejam mexendo seu caldeirão e preparando poções mágicas. Ou então, até mesmo, disfarçadas de lindas princesas.

Bruxas que se tornam visíveis na rotina, na monotonia, no descaso com o a carne, na intriga alheia, na falta de prazer e alegria. Como se sua máxima aptidão fosse provocar a desgraça, seja por vias do ódio, da inveja, ou até mesmo, do amor. Pois são bruxas, e mesmo não sendo reais, existem e podem fazer maldades!

Enquanto isso pode ter acontecido…

Em 1748, a margem do rio Reno, surgiu o disparate a alma de um jovem chamado Werther. Muito conhecido, querido por uns e odiado por outros, um Boêmio tanto quanto romântico, figura peculiar, ao mesmo tempo comum no romantismo. Tal equívoco, endeusado nas curvas da jovem Cunegundes, era enfim, tocado a tudo que Werther sempre procurou, seja no caminhar ou no sorriso. Ali estava pronta para ser colhida, antes que o “primeiro” Candido viesse buscar.

Não sabia ele, pela pouca experiência esotérica, que bruxas são seres extremamente susceptíveis ao tempo. E todo seu feitiço possuía um efeito curto, de poucos anos, meses, dias, quiçá, segundos. E que no enfraquecimento da bruxaria é que se conheceria a verdade.

Entretanto, Werther era um paciente da sorte, para ele e somente ele, não haveria poção ou feitiço capaz de ocultar a não-mentira, mesmo que esta fosse real, pois estava longe da obrigação de existir. Sendo assim, a verdade mais mentirosa de todos os tempos…

-Bruxas são poderosas!

Conseguem manipular o destino, por força da magia negra. A oniponência fica separada pelas suas pernas, seus pés e seu nariz, seus poderes, suas escolhas. Decidem a vassoura que querem voar. Fabricam poções mágicas, que em noites embriagam os mais fortes cavalheiros com apenas um gole. Usam ervas nas suas comidas e seus cachimbos que fazem entorpecer e enlouquecer todos os sentidos. São mestres na arte de fazer valer suas intenções!

Porém, sempre tem um porém… Para as bruxas, a bruxaria sem propósito é a maior das maldições, pois todas as suas magias são providas de um egoísmo intrínseco, desvinculado de qualquer algo maior que as façam sentir pequenas diante de si mesmas. Participam da história como coadjuvantes, vilãs, ou então, são perseguidas e postas na fogueira enquanto mulheres vulgares pela sua ode à liberdade.

Sua aura negra é acorrentada ao que existe de pior na humanidade, pois seu livre-arbítrio não tem limites, nem mesmo para o amor. Proclamam-se inconstantes frente a tantas opções do que fazer, já que para realizar sua mágica devem quebrar muitos padrões, para assim alcançar o céu voando em vassouras e aterrissar na lua.

E Werther um dia se perguntou: -O que faz as bruxas parecerem princesas?

Até então, iludido pela não-mentira, sua abstração e raciocínio foi suficientemente forte para quebrar todo e qualquer encanto que um dia existiu, ali, no bojo dessa mente insensata.

Sua pergunta lhe deu poderes, para assim, transformar-lhe em um mago. Pois também poderia usar de magia se a compreendesse.

O mais interessante nessa transformação, é que entre bruxas e magos existe uma diferença radical! Não obstante de ambos trabalharem com feitiçaria, boa ou má. Os magos quase sempre, quando não são malignos, participam de uma ordem. Possuem um propósito. Seu grimório é lógico, paulatinamente voraz com tudo que é contrário as mandigas do grupo.

Transcendem pela magia arcana, são amigos de Loki, de Zeus, e dos homens. Também são unidos, e quando é descoberta uma bruxa, toda a ordem fica sabendo.

Eles: -A magia não pode ser usada por elas.

Suas forças, apesar de não serem tão criativas por serem lógicas e constantes, vencem ao longo da história. Os fatos somente podem ser contados pelos seus atores, e por obra do acaso, são os magos que utilizaram e se preocupam em contar o enredo através de seus grimórios.

Seus amuletos de proteção conseguem refletir todo ataque das trevas, quando o mago é experiente o suficiente para reconhecer as energias que; estão em todos os lugares. Tais amuletos contém uma sabedoria ancestral, masculina.

Seu cajado despido ao natural, artefato encantado, quando utilizado é capaz de gerar frutos que o ajudarão a transcender e levar seu nome ao longo dos tempos. Mesmo, que seja usado contra uma bruxa, que também entende de magia, se ela não estiver protegida.

Entre bruxas e magos existe muito mais em comum do que se imagina, destarte, estando ambos em lados opostos do que é possível. O egoísmo de alguma forma impera. Bruxas e seus egoísmos intrínsecos, e magos com seus autoritarismos.

Não é atoa que Merlim foi um grande conselheiro do Rei Arthur, ressuscitava dragões e desafiava o tempo, segundo consta na narrativa fantasiosa do ocidente. Autoridade capaz de comandar um reino, figura forte. Ou, Rasputin que influenciou em muito a corte Czarista. São vários os exemplos de magos.

Se bruxas parecem ser princesas, magos procuram ser reis, ambos distantes um do outro.

Werther: -Eu não acredito em princesas! Ah mas que elas existem… Existem!

Cunegundes: -Eu não acredito em reis! Ah mas que eles existem… Existem!

Perguntas

In Sem categoria on Maio 14, 2011 at 7:47 am

Certa vez um dia indaguei, seria isso mesmo ou aquilo lá? Tantas respostas para tão simples pergunta. Não sabia eu que fitando o imprevisto e misturando a loucura com a realidade, colocaria amarras certas numa magia surreal.

O melhor, o correto, o impossível, qualquer episódio que seja intocável aos olhos do destino e mesmo assim, decomposto em fatos que: destarte, pegam o que há de necessário e colocam numa panela. Para assim, ser tudo e todo o alimento do cotidiano.

Morte e vida, amor e ódio, beleza e ousadia, retidão. Caos! Cernes distintos, tais quais temperos, que importunam o que há de mais perfeito no plano ideal. Mas que mesmo assim, não passam de perguntas que são tocadas pela experiência do que um dia… Transformar-se-á em fato!

Apenas perguntas. E mais perguntas. E mais…

PESO

In Sem categoria on Maio 7, 2011 at 6:29 am

Por todos os lados, de todas as formas que são possíveis para além da imaginação daquele ser humano, quiçá… Racional. Um peso! Incalculável ao que há de mais rígido. Faz-se admirar as profundezas do inferno e descobrir o céu.

Mais grosseiro que o sol dentro do útero de uma virgem. Opressor.

Olho gordo da miséria alheia, vitimado pelo destino que não aceita o sucesso da leveza. Até porque a leveza tem um pesar que carrega consigo a tecnologia de um olhar. Ou seja, sua história. Preenchida pelo esquecimento do que não agrada.

 Chronos grita em tom calado, que… -Icaro voou, mas não carregou consigo uma bola de ferro amarrada ao pé. Tampouco, uma corrente presa às tradições, ao moralismo, ao interesse financeiro, a vida fácil, ao possível e conveniente, as distâncias.

Ele simplesmente voava. E ereto. Protegido por asas ao redor de seu corpo ortodoxo.

Durante o vôo é indagado de forma distinta, quase sutil, um tanto quanto maléfica, abarrotada daquela malicia que somente os espertos e aventurados conseguem sentir, por já terem em algum momento abraçado o diabo (ou sentido o abraço dele), beijado-o na boca, e dito em seu ouvido, secretamente, -eu te amo. Qualquer diabo.

Mas desejando o pior, o mais terrível. Aquele que joga o jogo sem se importar com as essências e consequências, conhece as regras, pensa no contraditório. Satisfaz a todos, de tão belo, artístico, “poderoso”, e livre que o é. Ainda assim, ancorado ao que há de mais ilícito no mar das sensações.

E no descaso da alma olhado na alma e acreditado na alma querendo o que de mais puro na alma existe e aceitando a alma sendo a alma e o espirito e as tentações um só daquela alma que era duas e se tornou algo muito mais, holístico! Sem peso algum. Com todo peso do mundo, que o mundo há de porvir.