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Archive for the ‘Artigos e reflexões.’ Category

Enquanto houver burguesia não vai haver poesia!

In Artigos e reflexões. on Outubro 24, 2008 at 4:17 am

_O alerta já nos foi dado por um grande carioca das décadas passadas, que há tempos nos brindou com pensamentos sobre os tubarões do capitalismo de forma poética, um pouco diferente do resto da trupe vermelha e barbuda.

_Cazuza em alto e bom tom cantava de uma forma não tão sistemática como gostam os amantes das ciências, mas altamente ideologizada pela sua experiência humana, “vamos colocar a burguesia na cadeia, numa fazenda de trabalhos forçados, eu sou burguês, mas eu sou artista, estou do lado do povo, do povo!”.

_Ok Cazuza! Pô cara, mas na cadeia? Compreendo sua forma de ver o mundo, até compartilho dela, mas seria a violência o diferêncial, a Panacea social? Se fosse assim a cadeia não seria um ótimo centro de recuperação para os criminosos hediondos, pois lá são extremamente mau tratados?

_No resto até consigo compartilhar das suas idéias, também sou daqueles que precisa de uma ideologia para viver e que acredita que os inimigos estão no poder. Mas nessa idéia ai não dá! Não desce!

_É mais do que certo que a “democracia” em nada respeita as opiniões, sendo apenas um jogo criado para que uma classe domine a outra através do monopólio da violência e imponha seus interesses, através da mídia, da economia, da forma como se engendram as relações sociais para com as classes menos favorecidas pelos poderes do sistema político.  Portanto, não vamos no rebaixar e agir igual a escória, com violência e egoismo!

_Sinceramente, nesse sentindo, tenho pena desses burgueses hipócritas, que permanecem em joguetes políticos e econômicos, se prostituem para o sistema em troca de umas migalhas, vendendo sua personalidade e essência pelas bananas da propriedade privada. Pois nada causam ou deixam de acrescentar ao mundo, não fedem, são apenas alguns tantos outros como os que passaram pelos séculos e não serão lembrados.

_Alem do mais, dão a chance de existir figuras como você e mais alguns doidos históricos, afinal, sabemos que no capitalismo todos perdem. Não há vencedores, e o primeiro derrotado é o burguês, que vive alienado, com medo e inseguro, por haver tantas pessoas oprimidas por um sistema que acima de tudo, o que mais gera é violência. Apenas os que lutam contra são vitoriosos!

_Se fosse tudo tão perfeito como imaginamos, talvez não fizéssemos mais o diferencial por aqui, e teríamos que inventar outra “coisa para viver”, que não fosse incentivar a transformação social pela poesia ou mudar o mundo de forma dramática. Com certeza nosso lugar seria outro.

 

_Segue abaixo o recado de um outro velho mestre:

Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil  desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”

Darcy Ribeiro.

Da realidade dos problemas sociais à utopia dos livros.

In Artigos e reflexões. on Março 25, 2008 at 7:29 am

_Poucas palavras nos remetem a uma variedade tão grande de coisas como “problema”, esse pequeno emaranhado de letras propõem desde dúvida, mistério, algo passível a solução, enigma, até uma patologia, esse entendimento principalmente no linguajar popular, no senso comum. O mais interessante sobre esse vocábulo é sua inerência a diversas áreas do comportamento humano, tanto que, de uma forma ou de outra, estaria ligado a própria natureza das relações humanas. E toda vontade pessoal, entenda aqui diversos conceitos filosóficos e populares, sujeita ao diálogo com essas pequenas desventuras do cotidiano.
_Enfim, você pode conhecer centenas de pessoas com problemas econômicos, algumas dezenas com problemas familiares, alguns tantos outros com pequenos problemas, mas que ainda possuem. Tanto que, uma pessoa sem problemas, sem mistério, beira o absurdo! Até porque tal sujeito só poderia existir em um completo estado de inércia, ponderando que em pouco tempo com a interação social e as condições socialmente impostas, ou biologicamente, ou outros fatores como as experiências espirituais e existenciais, iriam criar-se problemas!
_A pessoa pode até encarar o problema como um produto da criação humana, e num estado digno pensar, “eu não tenho problemas, eles são invenções, o que tenho são outras coisas pequenas e pouco expressivas, ou então, problemas são bons, pois me permitem fazer algo útil no dia-a-dia solucionando-os”. Nota-se que numa avaliação racional do cotidiano, a vida social do individuo lhe traz questões que precisam ser resolvidas, estas que não deixam de ser problemas, o modo de pensar na relação é que muda.
_Considerando isso para falar em estados utópicos, qualquer que seja, desde da Utopia de Thomas More, até outros estados imaginados, marxistas, anarquistas, um item importante do discurso que deveria ser questionado é: como tais sistemas políticos e sociais idealizados lidam com as ínfimas nuances humanas que causam constrangimentos na rotina das pessoas, e se esses se consolidariam sobre essas. Sendo assim, se os fulanos que iriam viver nesses sistemas pensariam sua relação com os problemas do cotidiano de modo positivo, ou seriam tomados por algum tipo de melancolia. Afinal, já sabemos do que é capaz um individuo enraivado, entristecido, a história nos mostrou isso diversas vezes, seja no assassinato de presidentes, seqüestros, bombas, desobediência civil, entre outras coisas.
_Nesse sentindo é inquestionável como o capitalismo se assentou na lógica dos problemas, para alem do materialismo, ele provêem as pessoas de conflitos pessoais, ao mesmo tempo em que fornece os meios sucintos para resolver e descreve como é bom o sucesso. No livro o Apocalipse Motorizado de Ned Ludd (Organizador) que debate sobre a tirania do automóvel, há um pequeno quadrinho que serve como ponto-chave para essa discussão, um homem sentando ao volante de seu carro reclama a seu colega passageiro –Eu odeio dirigir, mas preciso do carro para chegar ao trabalho. No quadrinho seguinte ele explicita ao mesmo companheiro o motivo pelo qual dirige, -Eu odeio meu trabalho, mas tenho que pagar as despesas com o carro.
_Seguindo o pensamento numa apreciação rápida para validar o parâmetro mencionado, o bem acertado dito-cujo possuidor de diversos bens, ao mostrar-se uma pessoa capacitada e rica pela sociedade por meio de suas ações, como passear de carro importado, estaria de forma irrevogável gritando para todos -não tenho problemas econômicos, na jogatina da sociedade capitalista sou o mais equilibrado, olhem minha felicidade. 
_O capitalismo mais do que qualquer outro sistema criado pelo homem, soube aproveitar bem a brecha dada por esses quebra-cabeças, da vida diária, digamos assim, que são fornecidos pela interação social, pelo envelhecimento, existência, fé e religião, etc. Não é por menos que tentativas de destruir o capitalismo, ou causar problemas ao sistema, apenas o deram mais vigor! Cito como exemplo o ataque ao WTC, ao mesmo tempo em que muitos perdiam milhões em recursos, alguns já lucravam com a tragédia, e outros tantos iriam lucrar por meio de guerras causadas por esse evento. Que justificou a ideologia da invasão e expropriação de alguns paises.
_No livro “O Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley é narrado um futuro hipotético dessas relações, onde essa questão foi idealizada, ele se finda sobre uma sociedade de castas em que as pessoas são projetadas geneticamente e doutrinadas psicologicamente, e no final das contas, para garantir a estabilidade e a “harmonia social”, os habitantes vivem alucinados por drogas para não perceberem ou criarem problemas. Até por que a solução para estes poderia ir contra tudo que se instalou naquela sociedade.

_Não muito diferente de hoje, não é mesmo? 

obs:

saiu a versão em filme do livro Admirável Mundo Novo (Brave New World) a tempos atrás, e por sinal foi bem feita…

O papel transformador da Educação Familiar.

In Artigos e reflexões. on Março 20, 2008 at 5:33 am

_Buscar inspiração e energia para prosseguir com as reformas políticas é algo indispensável e de extrema importância para o desenvolvimento social do país. Nesse sentido, a transformação da sociedade dependeria exclusivamente de uma força motriz capaz da criação de um senso crítico que instigue os indivíduos a pensarem o melhor para todos, ou seja, um investimento massivo na educação e a adoção de uma postura crítico-construtiva pela comunidade impulsionariam a resolução da crise nacional, e o desenvolvimento econômico.

_Por um outro lado há duvidas, a humanidade na atual fase de conhecimento cientifico sociológico já descobriu que as sociedades, simples como as dos índios, ou capitalistas complexas como a nossa ocidental, apenas existem por haver solidariedade e fraternidade entre os membros. Essa que move as pessoas a manterem relações sociais, econômicas, ou mesmo políticas, como delegar uma parte da educação de seus filhos a cargo de professores titulados pelo estado.

_A partir desse fato, podemos responder uma série de perguntas, e até mesmo questionar os princípios da educação, ou a liberdade que os educadores possuem para instruir os jovens, pois o conteúdo didático é dado por emaranhados institucionais de leis contendo diretrizes, que os impendem, por vezes, de instaurar um senso critico na juventude que a colocaria na vanguarda intelectual, pois esse seria subversivo e não atenderia as necessidades de um estado autoritário.

_Mesmo com um sistema de educação com qualidade, e por melhor que sejam as estruturas e os métodos aplicados pelos professores, não há meio de substituir a educação que somente os pais podem dar aos filhos, e é exatamente essa que possui a força para modificar a sociedade!

_Sendo assim, os professores ficam com a responsabilidade de fomentar a manutenção social e o movimento da economia, instruindo os jovens e inserindo eles no trabalho, diríamos, com a tarefa de reproduzir a sociedade, ao mesmo tempo em que permanecem de mãos atadas por regras estatais que impossibilitam a mudança no intimo de cada ser, ou instiguem uma revolução ou reforma maior.

_Simplificando hipoteticamente, é difícil existir algum conselho eficiente de professor para aluno sobre prostituição. Já que essas são ações desagradáveis para o aluno e mexem em seu ambiente privado, na família, e o estado protege o direito a privacidade.

_Esse ato deve partir como uma premissa básica na educação familiar, pois essa sim, possui o respaldo e a eficácia necessária para ditar o que é certo e errado, e tem o poder de mudar o futuro dos jovens em relação a muitos problemas do presente, e por conseqüência a sociedade.

_Portanto pais e mães, por mais problemas que tenham, por mais errada que esteja sua consciência, sua moral e seus atos, não deixem transparecer isso para seus filhos, sejamos revolucionários. Dêem o máximo de si na instrução e disciplina, pois esse é o caminho para crescimento correto deles, são jovens e precisam de amor!

A superficialidade da loucura contemporânea.

In Artigos e reflexões. on Março 20, 2008 at 3:46 am

 

_O que é loucura, o que é ser normal? A maioria dos dicionários definirá loucura como um comportamento criado por pensamentos anormais, ligado de forma irrevogável a tabus sociais, as relações sociais, e a cultura. Portanto, o louco nada mais é que, um ser que por sua forma de pensar diferente dos padrões da sociedade é taxado, reconhecido como louco!

_Essa pequena definição se consolidou ao longo dos séculos, houve períodos em que os loucos eram postos na fogueira, vitimas da violência de uma fé religiosa exacerbada, ou mesmo, tidos como oráculos, enviado dos deuses, ou amantes.

_Sócrates, um filosofo grego nascido em quatrocentos e sessenta antes de cristo definiu a loucura em alguns tipos para a época, tais quais: a profética, em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, o oráculo. A loucura amorosa, produzida por Afrodite, a deusa grega da beleza e do amor, a conhecida loucura de estar apaixonado, e por último, a loucura poética, produzida pela inspiração das musas.

_Todas essas idéias mencionadas nos levam a crer que o louco é alguém, no mínimo, extremamente diferente por sua forma de pensar. Mas como ser alguém diferente, realmente louco, doido, numa sociedade extremamente capitalista como as atuais e a nossa, onde tudo se vende e se compra, onde as pessoas têm preço, onde o sexo é comercializado em escala industrial, as amizades se baseiam na riqueza, onde usar drogas é uma prática rotineira de muitos, onde a família não tem tempo para educar os filhos, pois tem de trabalhar para provir o sustento da casa, onde até a loucura possui seu aspecto mercantil?

_O popularmente conhecido louco, no nosso tempo moderno, ou pós-morderno para os “sofisticados”,  é o louco vendido, o sujeito travestido por uma loucura comprada, por mais que ele esteja tentando ser diferente, ele realmente não o é. Diga-se de passagem, é apenas mais um competidor no mercado de consumo.

_O louco real, o “chapadão”, o doido que vive em outra realidade, o insano de nossa época é, o poeta que os amigos admiram pelo que é, não pelo que possui, o sujeito que luta por um mundo mais digno, ao invés de drogar-se e ser um reacionário, que trabalha, quando podia desistir e seguir o caminho mais fácil. Esses são alguns dos pirados, afinal, é preciso se contrapor e muito aos padrões da sociedade para não ser um sujeito comum como os que existem por ai.